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Pesca oceânica: prazer para poucos

     A pesca oceânica no Brasil ainda é uma atividade restrita a uma minoria privilegiada.
     Porém, esses amantes de grandes aventuras, encaram o mar em busca de peixes cada
     vez maiores e mais difíceis de serem fisgados. A paixão pelo desafio e o contato com a
     natureza são os principais atrativos para os pescadores do oceano. Os peixes de bico
     (marlim azul, marlim branco e sailfish) são os mais cobiçados.

     Ter a oportunidade de ver e sentir um grande marlim azul com mais de 300 quilos saltando
     no mar é realmente indescritível. Conseguir pescar os três peixes de bico em uma mesma
     pescaria, o "grande slam", é um dos grandes desafios do pescador de oceano. Fazer o
     "grande slam" é como conseguir um "Royal Straight Flush", no pôquer, realmente um
     momento de muita emoção.

     Na jornada à procura do mar azul, onde os peixes de bico podem ser encontrados, os
     pescadores preparam-se com equipamentos sofisticados, lanchas de no mínimo 40 pés e
     muita técnica. Todos os detalhes são cuidadosamente calculados, pois uma falha pode
     prejudicar a pescaria e não é aconselhável correr riscos em alto mar.

     Em Ilhabela, SP, a temporada de pesca oceânica de 97 começou em outubro e vai levar os
     pescadores para o alto mar ainda no mês de janeiro. São vários torneios promovidos pelo
     Yacht Club de Ilhabela que reúnem pescadores de diversos locais. A temporada começou
     no dia 11 de outubro com o Torneio de Abertura, que teve a participação de 20 lanchas. O
     primeiro lugar ficou para a lancha Fullgaz/Daslu Homem, do comandante Juarez Ortiz. A
     equipe capturou dois marlins azuis.

     Nos dias 17 e 18 de outubro, o VIII Torneio Antarctica de Marlim Azul - IV Desafio Rio-São
     Paulo - reuniu paulistas e cariocas em Ilhabela para a pesca do marlim azul. O torneio teve
     a participação de 28 lanchas e o desembarque e chegada dos peixes foram realizados no
     Pier da Vila. O primeiro lugar ficou para São Paulo. A vencedora foi a lancha Royal Fish,
     comandada por Alberto Foroni.
     Marcar e liberar
     O Torneio Tag & Release agitou o último final de semana de outubro. No dia 25, biólogos e
     pescadores se reuniram para um torneio diferente: Tag & Release (marcar e liberar). Desde
     1993, o Yacht Club Ilhabela realiza essa modalidade de torneio e já devolveu ao mar 194
     peixes de bico marcados. Em todo o Brasil, foram marcados e liberados um total de 377
     peixes.

     Neste ano, participaram do Torneio Tag & Release 18 lanchas. Nessa modalidade, o peixe
     é trazido próximo ao barco, medido e o biólogo coloca uma pequena marca numerada e o
     devolve ao mar para estudos de crescimento e migração. O trabalho de biologia é feito pelo
     Instituto de Pesca de Santos (Secretaria da Agricultura e Abastecimento) em cooperação
     com a entidade de pesquisa norte-americana The Billfish Foundation. O vencedor da
     primeira etapa do Torneio Tag & Release foi a lancha Tarpon, de Marcos Ribas. A segunda
     etapa está prevista para 20 de dezembro.
     A primeira etapa do XV Torneio Banco Cacique de Pesca Oceânica, no dia 8 de novembro,
     foi acompanhada pelo Jornal da Cidade (leia matéria na página 8). O primeiro lugar ficou
     para a lancha Max, do comandante Klaus Heydebrek, pescando três sailfishes e 12
     dourados. Já a segunda etapa do Torneio, realizada no dia 15, teve vencedora a lancha
     Inaê, comandada por Bayard Umbuzeiro, pescando um sailfish (21kg) e 277 kg de
     dourados. As próximas etapas serão disputadas nos dias 6 e 13 de dezembro, quando
     sairá o vencedor. Os concorrentes deverão descartar um dos resultados.

     Durante a temporada de pesca oceânica em Ilhabela, estão previstos também o Torneio
     Feminino, no dia 10 de janeiro, e o Torneio de Aniversário do Yacht Club Ilhabela, no dia 25
     de janeiro. Porém, as datas ficam sujeitas a alterações relacionadas às condições do mar.
     Doação
     Os peixes embarcados durante os torneios de pesca oceânica do Yacht Club Ilhabela são,
     a grande maioria, doados a entidades assistenciais. O presidente da Colonia de
     Pescadores de Ilhabela, Paulo Molinari, encarrega-se de providenciar a limpeza dos peixes
     e a distribuição entre instituições como a Santa Casa, Creche da Barra Velha, São Vicente
     de Paula, Apae da Barra e de Taquanduba.

     Dedicação aos peixes de bico
     O biólogo Alberto Ferreira de Amorim tem 48 anos, é pesquisador científico do Instituto de
     Pesca de Santos, nível 5, professor da Unesp de Santos e também ligado à Unesp de Rio
     Claro. Ele estuda os peixes oceânicos há 25 anos e trabalha para que eles sejam
     preservados. Amorim desenvolve um trabalho junto ao Yacht Club de Vitória (ES), Yacht
     Club Costa Azul, em Cabo Frio, Yacht Club Rio de Janeiro (RJ) e Yacht Club Ilhabela e
     com isso alguns resultados positivos na pesquisa científica estão sendo detectados.

     Parte do trabalho consiste em recolher material genético dos peixes capturados e enviar ao
     Virginia Institute of Marine Science (Instituto de Pesca), nos Estados Unidos, para ser
     analisado. O biólogo anota peso, medida, sexo do peixe e retira seu coração. Nos Estados
     Unidos é feito o exame de DNA, que serve para descobrir se a população destes peixes no
     Brasil é a mesma dos Estados Unidos e Caribe. Amorim explica que a importância de se
     detectar as populações para a preservação dos peixes de bico. Caso constata-se que é a
     mesma população, ou seja, não há barreiras no Atlântico que impeçam o cruzamento entre
     peixes da mesma espécie, dessa forma, a legislação para a captura do animal deve ser a
     mesma.

     Com os estudos realizados através dos exames de DNA, já está comprovado que a
     população de marlim branco do Brasil é a mesma que a dos Estados Unidos. O sailfish,
     por exemplo, ainda está sendo estudado e ainda não há resultados.

     Amorim faz questão de frisar a importância da união entre os pesquisadores científicos e
     os pescadores esportivos. "Os pescadores esportivos gostam do peixe, querem
     preservá-lo. Por isso, auxiliam nas pesquisas. A quantidade de peixes retirada do mar é
     mínima. Diferente da pesca comercial. Um atuneiro, por exemplo, pesca, por dia, duas
     toneladas de peixe. Normalmente eles têm duas turmas de trabalho e pescam no Atlântico
     durante sete ou oito meses. São navios-fábricas!"

     Nos Estados Unidos, a The Billfish Foundation, dirigida por Winthrop Rockfeller, foi quem
     levantou a bandeira da proteção dos peixes. "Eles subsidiam o trabalho dos cientistas e
     colocam as conclusões na legislação", salienta Amorim. Todos esses esforços, que
     aparentemente são poucos, têm como objetivo fazer com que a pesca comercial pare de
     pescar os peixes de bico, que, hoje, têm seus estoques em declínio.

     O "tag & release" (marcar e soltar) é também uma grande contribuição da pesca esportiva
     para a pesquisa científica. Quando um peixe é marcado (e depois liberado), seus dados
     são anotados em uma ficha que é enviada à The Billfish Foundation e à Comissão
     Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT). Quando ele for capturado
     novamente será possível saber a sua rota marítima e seu desenvolvimento, o que auxilia
     muito a pesquisa científica.

     Amorim recorda um caso de Hisami Funatsu, capitão do Atuneiro Imaipesca, que, durante
     o seu trabalho no barco, em Florianópolis, marcava os peixes menores e devolvia ao mar.
     Dos 50 marcados, um swordfish foi recapturado 11 anos e três meses depois, no Uruguai,
     quando Funatsu já estava aposentado. Quando o peixe foi marcado pesava 15 quilos e
     media 70 centímetros. Com o passar dos anos, o peixe pesava 175 quilos e media 2,20
     metros. Fatos como o do capitão Funatsu estimulam o trabalho de pescadores esportivos
     e cientistas, que ganham o apoio da sociedade na luta pela preservação dos peixes
     oceânicos e contra a pesca indiscriminada.

     À procura dos grandes bicos
     O XV Torneio Banco Cacique de Pesca Oceânica do Yacht Club Ilhabela, iniciado no dia 8
     de novembro, teve mais uma etapa realizada no final de semana passado. As próximas
     saídas estão previstas para 6 e 13 de dezembro, quando serão conhecidos os grandes
     vencedores do Torneio. Por enquanto, as 23 lanchas que participantes preocupam-se com
     seus equipamentos e como vão fazer para recuperar a vantagem no mês que vem.

     O diretor de Pesca do Yacht Club Ilhabela, Alberto Moura, informou que cada equipe deverá
     descartar uma etapa. O que não era permitido no regulamento. Esse fato pode possibilitar
     uma grande surpresa no final. A equipe do caderno de Turismo do Jornal da Cidade foi a
     Ilhabela para acompanhar o início do Torneio, em 8 de novembro. Apesar de não ter sido
     permitido acompanhar a pesca em alto mar, foi possível constatar a emoção com que
     chegam os pescadores de alto mar. Distantes 70 milhas da costa, em uma viagem de
     aproximadamente três horas e meia, os pescadores utilizam de seus conhecimentos e
     criatividade para atrair os peixes de bico: marlim azul, marlim branco e sailfish.

     Algumas equipes, como a Argus, de Cláudio Orfão, preparam suas iscas na véspera: iscas
     naturais mais frescas podem ser um grande atrativo para os peixes. As iscas são
     preparadas uma a uma com seu anzol, que pode ser preso na cauda ou pela guelra.
     Sempre costuradas com fio dental ou de cobre.

     Às 6 horas, as lanchas começam a deixar o pier do Yacht Club Ilhabela à procura do mar
     azul. A pescaria inicia a partir da passagem pela Ilha Sumítica, que deve ser reportada para
     a Estação de Controle Delta 24. A comunicação através do rádio é um fator interessante e
     muito importante no Torneio. A embarcação deve comunicar-se com a estação sempre tiver
     com um peixe de bico ferrado, informando a espécie, o nome do pescador, a Longitude e
     Latitude. O embarque ou perda do peixe também é comunicado.

     Às 17 horas é encerrado o torneio e somente são considerados válidos os peixes
     embarcados até esse horário. A exceção fica para o marlim azul, que tem mais uma hora,
     desde que tenha sido ferrado e reportado antes do encerramento. A chegada no pier do
     Yacht Club é esperada por familiares e torcedores fanáticos. A hora da pesagem vai revelar
     os vencedores da primeira etapa.

     A lancha LadyIneide pescou a maior quantidade de dourados: 30 peixes. Porém, a
     pontuação ainda não confirma o primeiro lugar. Os peixes de bico são os mais valiosos.
     Após a pesagem de todos os exemplares, o resultado da primeira etapa. A lancha Max, do
     comandante Klaus Heydebrek e os pescadores Walter Müller e Walter Müller Filho, traz
     três sailfishes e 12 dourados e conquista o primeiro lugar. O segundo lugar fica para a
     lancha Argus, de Cláudio Orfão, Roberto Gazarra, Sérgio Martins e Alberto Dattelkremmer,
     com dois sailfishes e 16 dourados. O terceiro lugar fica para a lancha Taniuka, do
     comandante Adhemar de Barros Neto, acompanhado de Roberto Veras e Haroldo Cardia,
     que trouxeram dois sailfishes, um atum negro e sete dourados.

     Walter Müller, 43 anos, avaliou como boa a primeira etapa do Torneio. Ele participa de
     torneios há dez anos e agora transmite a paixão para o filho. "O pescador nasce
     pescador", comenta. Seu companheiro de equipe, Klaus, salienta que além de todo o
     fascínio da pescaria, o encontro com os amigos também é muito importantes.
     "Royal Straight Flush"
     Uma embarcação teve uma emoção diferente na primeira etapa do Torneio. A Godofish,
     comandada por Godofredo Blaha, 58 anos, fez um "Grande Slam". A alegria foi ainda maior
     para Laurent Blaha, 32 anos, que foi o responsável pela pesca dos três bicos: um marlim
     azul, um marlim branco e um sailfish. Laurent estava exultante. "A maior emoção foi trazer
     o marlim azul com equipamento pequeno. Pegar os três bicos é como fazer "Royal Straight
     Flush" no pôquer."

     Laurent conta que o marlim azul mordeu e afundou. "Fiquei duas horas e quarenta minutos
     tentando trazê-lo para perto do barco. Quando embarcamos, ele já estava morto.
     Infelizmente com peso abaixo do estipulado pelo regulamento. Mesmo assim, decidimos
     embarcá-lo para doar a uma entidade social." Seguindo os passos do pai, Laurent promete
     ser um grande pescador.

     Godofredo é pescador há mais de 30 anos e elege os mares da Venezuela, México e
     Flórida também excelentes para a pesca. "Em Cabo de São Lucas (México), o lugar é
     muito bonito e o mar azul fica a poucas milhas da costa", explica Godofredo. Para ele, o
     que dificulta a pesca na região de Ilhabela é a grande distância. "Pode-se distanciar até 80
     milhas da costa." Mas o que realmente importa em uma boa pescaria, segundo Godofredo
     Blaha é o contato com a natureza. "Ver golfinhos, baleias, tartarugas, sempre distante da
     costa, é fantástico. Mesmo quando a pescaria não é muito boa, vale o passeio."

     Na segunda etapa do XV Torneio Banco Cacique de Pesca Oceânica, a lancha Godfish
     ficou em terceiro lugar, com dois sailfishes (31 e 22,7 kg), 7 kg de atuns e 30 kg de
     dourados. O primeiro lugar ficou para a lancha Inaê, de Bayard Umbuzeiro, com um sailfish
     e 276 kg de dourados; o segundo lugar foi para a lancha Guerreiro, de Marcelo Guerreiro,
     com dois sailfishes (23,5 e 21,5 kg) e 158 kg de dourados.

     As duas últimas etapas do XV Torneio Banco Cacique de Pesca Oceânica serão
     realizadas nos dias 6 e 13 de dezembro. O patrocínio da temporada de pesca oceânica em
     Ilhabela é da Antarctica e do Banco Cacique, e o co-patrocínio é da Náutica Sportswear,
     Cia. Brasileira de Comércio Exterior, Nautinet Dialdata, Importa Comissária, RGV Gama
     Suzuki, Suzuki Automóveis e Twin Disc.
     Os mais procurados
     Marlim Azul

     Peixe oceânico que habita as águas azuis, limpas e quentes. Costuma nadar sozinho e é
     encontrado com mais frequência nas regiões de Vitória, Salvador, Ilhéus, Cabo Frio e
     Ilhabela. Os maiores exemplares podem pesar mais de 650 quilos e medir quatro metros
     de comprimento. Sua captura exige materiais pesados, linhas de 20 a 130 libras, varas
     com passadores com roldanas e carretilhas com capacidade para 500 metros de linha.
     Como iscas naturais, podem ser escolhidas Peixes-voadores, Farangaios e Atuas. Entre
     as artificial, as melhores são as lulas.
     Marlim Branco

     Peixe solitário que vive nas regiões onde as correntes marinhas encontram as águas da
     plataforma continental ou no talude desta. Os maiores espécimes medem três metros e
     pesam 80 quilos. Aparecem em maior quantidade em Vitória, Salvador, Ilhéus e Rio de
     Janeiro. São pescados com material médio e pesado, linhas de 16 a 70 libras. As
     melhores iscas são as naturais, como Peixes-voadores, Farnangaios e Atuas. Também
     são pescados com equipamento de moscas.
     Sailfish

     Habita as águas costeiras profundas e as oceânicas, sozinho ou em pequenos cardumes.
     É encontrado desde o litoral do Nordeste até o Sudeste brasileiro. Pode pesar até 60 quilos
     e medir três metros. Requer equipamento entre médio e pesado, com linhas entre 10 e 30
     libras. Com iscas artificial, use plugs e lulas. Entre as naturais, use Farnagaios, Tainhas e
     lulas.
     Dourado

     É encontrado em toda a costa brasileira. Chega a pesar 25 quilos e medir dois metros.
     Utilize material médio e pesado, com linhas de 12 a 25 libras e anzóis 2/0 a 6/0 - não é
     necessário usar encastoado. O chumbo não deve ser muito pesado, pois é um peixe de
     meia-água e superfície. Iscas artificial são as mais usadas (plugs de meia-água, poppers,
     jumping, baits, lulas e colheres), mas se for usar naturais prefira Sardinhas, Tainhas,
     Farnangaios e lulas.
     Atum

     É encontrado em grandes cardumes, em águas de mar aberto. Os melhores locais para
     pescá-los ficam ao longo do litoral do Nordeste e Sudeste. Por ser um peixe muito ativo e
     de grande porte - pode pesar de 50 a 450 quilos e medir mais de dois metros de
     comprimento - é melhor pescá-lo com materiais pesados, anzóis 3/0 a 8/0 e linhas de 12 a
     30 libras. Com iscas naturais, use lulas, Tainhas e Peixes-voadores. Entre as artificial, o
     Atum prefere os plugs meia-água, lulas e colheres.

     Fonte: revista Pesca e Companhia n.º 43
 

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