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Pesque, mas não mate!


Há algo  mais bonito que ver um peixão fazendo cantar a carretilha? É gostoso de-
mais, não é caro amigo? Mas o prazer na pescaria não precisa parar aí, os leitores
mais conscientes podem dizer que soltar peixe depois da briga também dá uma sen-
sação indescritível. Nesse momento, sente-se algo muito agradável que é  o  carinho
pela vida, um instante mágica e de muita alegria.
Se não bastasse isso, existe todo o lado prático para os  apreciadores  do  esporte
que é a manutenção dos estoques pesqueiros. Tem que se lembrar também que geral-
mente a pressão predatória é concentrada em poucas espécies - as mais  esportivas
e brigadoras ou de carne mais saborosa - como é o caso  dos  robalos  nos  canais e
mangues.
Por isso, fica aí o convite, solte o máximo que que pescar, mesmo que acima da medi-
da mínima, afinal, já preparou que aqueles pintados congelados no freezer que você
trouxe do Pantanal, nunca ficam muito saboroso, tanto que muitos são jogados  fora
depois  de  algum  tempo  para  dar espaço na geladeira? Dessa forma, você estará contribuindo para  dar  uma  chance não só a si próprio, mas inclusive para os seus filhos, de pegar aquele jauzão sarado de 60 kg, peso  que esse bichão pode  ter le- vado mais de 30 anos para atingir. Já está convencido? Então, saiba que não basta apenas boa vontade, é preciso saber fazer o pesque-e-solte para  que ele funcione, isto é, que o peixe sobreviva após a soltura.
 

Liberte o peixe com vida

O objetivo de todas essas técnicas citadas abaixo é diminuir ao máximo o stress  e
ferimentos que são inevitáveis, quando o peixe é retirado  da água. A  operação  de
soltura quanto mais rápida for feita melhor, afinal, ele  está  sendo  sufocado  pela
de oxigênio.
Explicando por etapas, vamos começar a sequência desde o momento de preparação
do material de pesca:

1. Amasse as farpas do anzol com um alicate e se possível, lime depois
2. Use material de acordo com o porte dos exemplares que estiver pescando. Se  o
material for leve demais, a briga pode durar um período excessivo a ponto  de  le-
var o peixe a exaustão total.
3. Quando o peixe encostar, deve-se tirar ele com puça ou alicate de contenção na
mandíbula inferior dele. Assim, ele vai se debater menos e terá menos risco  de  se
machucar. Caso for um peixe grande demais ou com dentes perigosos, o certo é fu-
rar com um bicheiro o queixo dele. Parece cruel, mas é melhor. (ilustração 1)


4. Segure o peixe de modo correto, em posição que ele se contorça o mínimo e  mo-
vimente o com cuidado, pois pode ocorrer o deslocamento e traumatismo de orgãos
internos e da estrutura óssea dele. Fazer errado, pode até quebrar o  maxilar  do
bicho. (ilustração 2)


5. Caso o anzol tenha ferido a guelra, olhos ou a metade inferior do corpo dele,  a
chance dele sobreviver são pequenas, portanto sacrifique o animal.
6. Fundamental! Tocar no Peixe é sempre ruim para ele. Imagine que a temperatu-
ra de suas mãos está a mais de 36º e o peixe  se mantém a  mesma  temperatura da
aguá, geralmente em torno de 20º C. Essa diferença de 16º pode causar queimadu-
ras no peixe. O manuseio também retira o muco  natural da pele que protege o pei-
xe de vírus, bactérias e fungos. Os peixes são  tão sensíveis que no caso do robalo,
quatro ou cinco dias após ser devolvido a água, ele perde  as escamas e fica com as
marcas das mãos por quase um mês até se recuperar. O  ideal é antes de pegar ne-
le, colocar as mãos na aguá por um tempo para que o choque  térmico não  seja  tão
grande e também utilize panos ou luvas molhada para suavizar o contato com o pei-
xe. Para os peixes do mar, jogue água do mar no lugar onde você deitará o animal.
(ilustração3)

7. Ao libertá-lo, não atire o peixe na água. Mantenha ele imerso e segure ele  pela
cauda até que ele se recupere e saia nadando com vigor. Outros peixes predadores
podem se aproveitar desse momento em que ele está atordoado e atacá-lo enquanto
ele está indefeso. No caso de peixes que foram pescados em  grandes  profundida-
des, eles costumam expelir a bexiga natatória a medida que  se  aproximam  da  su-
perfície. Fure-as com um alfinete, senão, eles ficarão boiando e  se  tornarão  alvo
fácil de pássaros.